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Como escolher anticoncepcional: contraceptivos hormonais

SUMÁRIO

Chegou a hora de continuarmos nossa jornada na busca do melhor anticoncepcional. Você conhece todas as opções de métodos contraceptivos hormonais (ou não) disponíveis no mercado? Tem certeza? É hora de fazer o teste!

Já falamos sobre métodos de barreira e hoje vamos falar sobre os contraceptivos hormonais. Existem várias alternativas dentro desta categoria. Todas elas funcionam a partir de versões sintéticas de estrogênio e progesterona, os chamados hormônios sexuais. Algumas oferecem uma combinação de ambos, enquanto outras usam apenas a progesterona como princípio ativo.

Os contraceptivos hormonais previnem a gravidez ao impedir a ovulação, ao promover o espessamento do muco cervical (dificultando a entrada do espermatozoide), ao tornar o endométrio menos receptivo ao óvulo fecundado ou ao alterar a motilidade das tubas uterinas. Algumas opções desse tipo de anticoncepcional combinam esses dois "modos de ataque", e o mercado oferece soluções com fatores adicionais de proteção. 

Vale lembrar que os contraceptivos hormonais não oferecem proteção contra ISTs, por isso o preservativo também deve fazer parte da sua rotina (também em relações entre pessoas do mesmo sexo!). Pense assim: é uma forma de se proteger duplamente!

Como escolher o melhor anticoncepcional? Isso depende de você, mas estamos aqui para te ajudar. 

A seguir, listamos os prós e contras de cada um dos contraceptivos hormonais. Nossa dica? Além da eficácia, na hora da escolha considere também fatores como custo, praticidade e efeitos colaterais.

Vamos juntas?

Contraceptivos hormonais: prós e contras de cada método anticoncepcional

DIU hormonal

Efetividade como anticoncepcional: Mais de 99%

O DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) é um dispositivo de plástico inserido no útero capaz de liberar hormônio progesterona em versão sintética. Para prevenir a gravidez, o DIU suprime parcialmente a ovulação (mais de 85% das pessoas que usam, continuam ovulando) e também age no espessamento do muco cervical, impedindo que o espermatozoide alcance ou fertilize o óvulo. 

Os hormônios liberados pelo aparelho circulam apenas na região uterina e em menor quantidade do que a encontrada em outros contraceptivos hormonais, como na pílula, de modo que os efeitos colaterais são bem mais sutis.

PRÓS

- Duração média de cinco anos;

- Sem estrogênio na composição (hormônio responsável pelo risco de trombose e outras complicações vasculares);

- Pode ser usado durante a amamentação;

- Pode ser removido a qualquer momento, com rápido retorno da capacidade fértil;

- Pode reduzir (ou até interromper) o fluxo menstrual - o que pode ser benéfico para quem sofre com as cólicas ou TPM intensa.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- Possíveis efeitos colaterais incluem acne, dores de cabeça, ganho de peso, alterações de humor, vulvovaginite e dor na região pélvica e nos seios;

- Pode causar aumento do número de dias de sangramento ou ocorrência de sangramentos pontuais no primeiro ano de uso;

- Escapes imprevisíveis da menstruação;

- Ainda que seja raro, há risco de rejeição do DIU por parte do organismo;

- Também raramente, pode causar perfuração da parede uterina;

- Algumas pessoas não se sentem confortáveis com a interrupção do fluxo menstrual.

‍Contraceptivo oral combinado (a famosa pílula anticoncepcional)

Efetividade como anticoncepcional: 99% (uso perfeito*) e 93% (uso típico**)

A pílula anticoncepcional combinada tem esse nome porque combina dois hormônios diferentes: estrogênio e progesterona em suas versões sintéticas. Sua ação se dá por meio da inibição da ovulação, do espessamento do muco cervical, diminuição da motilidade das tubas uterinas e da atrofia do endométrio, evitando, assim, a gravidez. 

Existem hoje várias opções de anticoncepcionais orais no mercado, com diferentes dosagens e formulações, por isso o mais recomendado é fazer a escolha com o apoio de um profissional de saúde que entenda as particularidades do organismo de cada pessoa.

PRÓS

- Praticidade (basta passar na farmácia e adquirir a sua);

- Regulação do fluxo menstrual;

- Redução de sintomas típicos do período menstrual e da endometriose.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- Deve ser tomada todos os dias, de preferência no mesmo horário, para ter eficácia garantida - o que os especialistas chamam de uso perfeito;

- Apesar do custo reduzido em relação aos outros métodos, é um gasto recorrente no orçamento;

- Pode causar alterações na libido e sintomas depressivos, além de aumentar o risco de trombose ou outras complicações cardiovasculares;

- A pílula anticoncepcional é contraindicada para pessoas com hipertensão e/ou diabetes, com mais de 35 anos de idade, pessoas que fumam mais de 15 cigarros por dia e/ou tem histórico de doença cardiovascular;

- Pode ter eficácia prejudicada quando tomada junto a outras medicações como: antibióticos, anticonvulsivantes, antifúngicos, antirretrovirais (principalmente aqueles usados para tratar o HIV), entre outros. Converse com sua médica ou médico sobre essa possível interação.

* Uso perfeito: tomar todo dia no mesmo horário, respeitar as pausas e evitar medicamentos que possam afetar a eficácia da pílula

** Uso típico: esquecer de tomar a pílula todos os dias e não se atentar ao horário correto para tomar o anticoncepcional.

Minipílula

Efetividade como anticoncepcional: 99% (uso perfeito*) e 93% (uso típico**)

Diferente da pílula combinada, a minipílula é um contraceptivo hormonal oral que contém somente um hormônio em sua composição: a progesterona em sua versão sintética. 

É uma ótima escolha para pessoas que desejam evitar o estrogênio, mas também não desejam ou podem optar por outros contraceptivos hormonais, como o DIU. A minipílula impede a gravidez principalmente por meio do espessamento do muco cervical e da atrofia do endométrio. 

PRÓS

- Pode ser utilizada por quem está amamentando, menos de seis semanas após o parto;

- Uma alternativa para pessoas que não se adaptaram à pílula combinada, com benefícios similares e sem os efeitos negativos do estrogênio (como o aumento do risco de trombose e outras complicações cardiovasculares);

- Redução dos sintomas típicos do período menstrual;

- Rápido retorno da fertilidade após suspensão do uso.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- Deve ser tomada todos os dias, de preferência no mesmo horário, para ter eficácia garantida - o que os especialistas chamam de uso perfeito.;

- Apesar do custo reduzido em relação aos outros métodos, é um gasto recorrente no orçamento;

- Pode causar sangramentos de escape imprevisíveis;

- O efeito colateral mais relatado são surtos de acne;

- É contraindicada para casos suspeitos ou confirmados de gravidez, câncer de mama, sangramento uterino anormal não diagnosticado e tumores malignos ou benignos do fígado.

* Uso perfeito: semelhante à pílula tradicional, é necessário tomar todo dia no mesmo horário, respeitar as pausas e evitar medicamentos que possam afetar sua eficácia.

** Uso típico: esquecer de tomar a minipílula todos os dias e não se atentar ao horário correto para tomar esse anticoncepcional.

Contraceptivo hormonal injetável combinado

Efetividade como anticoncepcional: 99% (uso perfeito*) e 94% (uso típico**)

Injeção de hormônios administrada mensalmente, cujo mecanismo de ação é parecido com o das pílulas tradicionais: suspensão da ovulação, espessamento do muco cervical e redução do endométrio.

PRÓS

- A menstruação é previsível, ocorrendo a cada 3 semanas depois da injeção mensal;

- Pode diminuir o volume da menstruação e ou até parar ela de vez.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- A injeção deve ser tomada todo mês.

* Uso perfeito: aplicar mensalmente sem atrasos e com a ajuda de um profissional de saúde. 

** Uso típico: aplicar sem constância, massagear ou colocar uma bolsa de água quente no local da injeção - isso acelera a absorção do hormônio e prejudica seu funcionamento.

Contraceptivo hormonal injetável de progestagênio

Efetividade como anticoncepcional: 99% (uso perfeito*) e 94% (uso típico**)

Injeção de progesterona sintética administrada uma vez a cada três meses. Ele é indicado para quem não pode ou não deseja receber estrogênio, pois é composto apenas de progesterona. 

Seu mecanismo de ação é através do espessamento do muco cervical, redução do endométrio e inibição da secreção de LH.

PRÓS

- Maior intervalo de tempo entre as doses (3 meses);

- Alivia cólicas menstruais e quadros de anemia;

- Pode reduzir sintomas associados à endometriose e à dor pélvica crônica.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- Pode causar sangramentos irregulares e imprevisíveis por 7 dias ou mais nos primeiros meses de uso (mas eles se tornam menos recorrentes e mais curtos com o passar do tempo, até que o sangramento pare de vez);

- Após a interrupção do uso, a fertilidade pode demorar de 9 a 12 meses para voltar ao normal, atrasando planos de gravidez;

- Possíveis efeitos colaterais incluem: dor de cabeça, acne, alterações do humor, redução da densidade mineral óssea, vertigens e aumento de peso;

- Pode perder a eficácia se as injeções não forem tomadas dentro da periodicidade recomendada.

* Uso perfeito: respeitar a periodicidade recomendada, sem atrasos, e aplicar com a ajuda de um profissional de saúde.

** Uso típico: confiar que um atrasinho não faz mal e acabar atrasando as aplicações do contraceptivo injetável.

Adesivo hormonal

Efetividade como anticoncepcional: 99% (uso perfeito*) e 91% (uso típico**)

Adesivo fino de plástico que adere à pele e libera hormônios (combinação de estrogênio e progesterona) direto para a corrente sanguínea. Agem na suspensão da ovulação, no espessamento do muco cervical, diminuição da motilidade das tubas uterinas e redução do endométrio, impedindo, assim, a gravidez. 

Esse contraceptivo hormonal pode ser aplicado em diversas partes do corpo, como na parte inferior do abdômen, nádegas, costas, parte externa do braço ou parte superior do corpo. O importante é que o local escolhido não seja apertado ou esfregado por roupas e permaneça limpo, seco e não irritado.

Deve ser substituído semanalmente, durante três semanas. Depois, é necessário que seja feito um intervalo de duas semanas para que ocorra a menstruação.

PRÓS

- Mais prático do que a pílula (deve ser trocado semanalmente, sem manutenção diária);

- Permite atividades diárias como exercício físico, banhos (de chuveiro e de banheira) e natação;

- Regulação do ciclo menstrual;

- Efeitos colaterais são mais raros em relação a outros contraceptivos hormonais.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

‍- Pode se descolar ou perder a aderência, o que pode comprometer sua eficácia caso não seja trocado em 24h;

- Mesmo aplicado em locais discretos, pode ser visto por outras pessoas, podendo também causar alergias no local;

- Melhor evitar o uso de cremes, óleos, loções e pós no local da aplicação;

- Possíveis efeitos colaterais incluem náuseas, dores de cabeça, sensibilidade nos seios e aumento do risco de trombose ou outras complicações cardiovasculares.

* Uso perfeito: aplicar o adesivo em local adequado do corpo e proteger a região de dobras, fricção, sujeira e umidade. Ter disciplina com relação aos dias de troca do anticoncepcional, respeitando datas e horários para aumentar a chance de eficácia. Respeitar o tempo de pausa para menstruação.

** Uso típico: não substituir em menos de 24h caso descole ou perca a aderência, não respeitar a periodicidade de troca, não proteger a região em que o adesivo está colado.

Anel vaginal

Efetividade como anticoncepcional: 99% (uso perfeito*) e 91% (uso típico**)

É um anel fino, flexível com aproximadamente 5 cm de diâmetro. Deve ser inserido no canal vaginal, onde deve permanecer por três semanas. Na quarta semana, o anel deve ser removido para que ocorra a menstruação. Depois de uma semana, um novo dispositivo deve ser colocado. 

O anel age a partir de uma combinação de estrogênio e progesterona, que evitam a gravidez ao impedir a ovulação e ao espessar o muco cervical.

PRÓS

- Praticidade (depois de inserido, ele permanece no corpo por 3 semanas);

- Pode reduzir o fluxo menstrual e ajudar no tratamento de acne;

- Regulação do fluxo menstrual.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- Sensibilidade nos seios e dores de cabeça são os efeitos colaterais mais comuns;

- Por conter estrogênio, há risco aumentado de trombose e outras complicações cardiovasculares;

- Alguns casais relatam sentir o dispositivo durante a penetração vaginal.

* Uso perfeito: inserir com cuidado no canal vaginal (fica mais fácil pressionando o centro do anel formando um “8” e colocando na vagina de cócoras ou na posição frango assado). Se certifique de que está bem posicionado para que não se desloque durante a relação sexual. Respeite o tempo de três semanas para a troca do anticoncepcional e mantenha regularidade nas substituições.

** Uso típico: não se atentar para a inserção correta do anel, não respeitar tempo de pausa e periodicidade para a substituição desse anticoncepcional.

Implante contraceptivo

Efetividade como anticoncepcional: mais de 99%

O implante contraceptivo é um bastão pequeno, com cerca de 2 mm de diâmetro por 4 cm de comprimento, implantado sob a pele, onde libera continuamente etonogestrel, uma forma sintética do hormônio progesterona

Sua ação bloqueia a ovulação, torna o muco cervical mais espesso e diminui a espessura do endométrio, impedindo a gravidez. Assim como o DIU, deve ser inserido por um profissional da área da saúde.

PRÓS

- Dura até três anos, mas pode ser removido a qualquer momento;

- Não contém estrogênio, por isso não aumenta o risco de trombose e outras complicações cardiovasculares;

- Após a retirada do implante, a fertilidade volta ao normal após 3 ou 4 semanas.

CONTRAS

- Como os demais contraceptivos hormonais, não protege contra ISTs;

- Deve ser aplicado apenas em consultório médico e requer anestesia local, além de deixar a região dolorida por alguns dias;

- Pode causar sangramentos anormais nos primeiros 6 a 12 meses após a inserção;

- Possíveis efeitos colaterais incluem acne, sensibilidade nos seios e ganho de peso;

- É contraindicado em casos de câncer de mama ativo, sensibilidade aos componentes do implante e gravidez;

- Precisa de anestesia local para ser retirado, mas o procedimento é feito sem pontos.

Contraceptivos hormonais e outros tipos de anticoncepcional

E aí, se sente mais confiante para escolher o melhor anticoncepcional para você? Acha que vale a pena optar por um dos contraceptivos hormonais disponíveis no mercado? Se o match ainda não rolou, calma: confira nosso dossiê sobre métodos de barreira e métodos naturais e/ou comportamentais para evitar a gravidez indesejada.

Como escolher anticoncepcional: contraceptivos de barreira

Métodos de barreira são aqueles que protegem você de uma gravidez indesejada ao criar uma barreira no seu organismo, seja impedindo o contato do sêmen com a vagina, seja impedindo a fecundação já na região do útero. Tudo isso sem hormônios! Saiba mais!

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