Falar de infertilidade também é falar de saúde pública

Falar de (in)fertilidade também é falar sobre saúde pública, sabia? Por mais que o tema pareça restrito às esferas mais íntimas, sendo um tabu até mesmo entre os casais, a infertilidade deveria ser uma pauta na agenda de saúde pública de todos os países.

Estamos falando de uma condição que atinge milhões de pessoas do mundo inteiro, com um impacto profundo sobre o bem-estar físico e mental de cada um. Poder escolher quando e como ter filhos faz parte daquela autonomia individual que também é um direito de todes.

A desigualdade de acesso aos cuidados relativos à fertilidade podem, inclusive, intensificar outras desigualdades sociais, como de renda, gênero e até mesmo racial. Ainda que as tecnologias de reprodução assistida (como a fertilização in vitro e a inseminação artificial) estejam disponíveis há mais de três décadas, os procedimentos ainda são inacessíveis para a maioria das pessoas.

Mas não precisa ser assim, e é por isso que precisamos falar de infertilidade. Por exemplo: você sabia que a infertilidade é uma condição que muitas vezes pode ser prevenida? E, ainda, muitas vezes, tratada?

Veja abaixo 4 motivos para parar e refletir sobre este tema neste mês.

1) Poder escolher quando e como ter filhos é um direito de todes

A conversa sobre a infertilidade não diz respeito apenas à saúde de casais heterossexuais, mas também é uma importante via de inclusão para:

  • Casais formados por pessoas do mesmo sexo;
  • Pessoas que desejam ter filhos sem estar em relacionamentos sexuais;
  • Pessoas que estão fora da idade reprodutiva;
  • Pessoas que enfrentam condições de saúde que afetam a fertilidade (como determinados tipos de câncer e o vírus do HIV).

2) Mais autonomia e segurança para mulheres

Falar de infertilidade é uma forma de diminuir o estigma carregado pelas mulheres, que costumam levar a "culpa" quando surgem dificuldades nessa área. Mesmo que a condição não seja exclusividade dos corpos femininos, as mulheres enfrentam um impacto social negativo maior, que pode incluir violência, divórcio, exclusão social, depressão, ansiedade e baixa autoestima.

3) Prevenção deve ser prioridade (e política de saúde pública)

A infertilidade é uma condição que muitas vezes pode ser prevenida, o que diminui de maneira expressiva a necessidade de tratamentos caros e com baixa disponibilidade.

Algumas políticas públicas podem fazer toda a diferença:

  • Fertilidade (e infertilidade) nas cartilhas de educação sexual;
  • Incentivo a hábitos saudáveis que reduzem o risco de infertilidade (alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, conscientização sobre o consumo de álcool e outras drogas);
  • Acesso universal a medidas de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce de IST's;
  • Assistência a vítimas de violência sexual e pessoas que passaram pela interrupção de gravidez;
  • Atenção às substâncias tóxicas que podem causar infertilidade (como alguns agrotóxicos);

4) Mais informação, menos medo

Para que que tudo isso se torne uma realidade, precisamos falar sobre infertilidade. Sem medo, sem vergonha, e de cabeça erguida. Se a infertilidade faz parte da sua vida, saiba que você não está só. A conscientização é o primeiro passo para combatermos o estigma e a desigualdade. Vamos juntas?

5) Você não está só

A infertilidade, uma condição que afeta cerca de 7,7% das pessoas com ovários em idade reprodutiva no Brasil (OMS, 1994-2000). Se a infertilidade faz parte da sua vida, saiba que você não está só. A conscientização é o primeiro passo para combatermos o estigma e a desigualdade, e este é o nosso objetivo nesse mês de junho e sempre.

Vamos juntas?

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