Fadiga de Zoom e as mulheres

1 a cada 7 mulheres disse que se sente "muito" ou "extremamente" afetada pelas videochamadas, sintoma que desde 2020 vem sendo identificado pelo nome de Fadiga de Zoom. Entre os homens, apenas 1 a cada 20 entrevistados alegou o mesmo. A síndrome pode até ser novidade, mas os motivos são nossos velhos conhecidos, como os conflitos de imagem e outras consequências da desigualdade que enfrentamos todos os dias.

Depois de quase um ano e meio de isolamento, a famigerada Fadiga de Zoom (aquela exaustão provocada pelas vídeochamadas) já é quase da família, pelo menos na vida de estudantes e profissionais em home office. Mas a novidade (que nem é tão novidade assim, convenhamos), é que o esgotamento tipicamente pandêmico afeta muito mais as mulheres do que os homens. O mesmo grupo de pesquisadores de Stanford (que inclui a brasileira Anna Carolina Muller Queiroz) que identificou o fenômeno ano passado se debruçou agora na relação entre as diferenças de gênero e a Fadiga de Zoom. A síndrome pode até ser novidade, mas os motivos são nossos velhos conhecidos, como os conflitos de imagem e outras consequências da desigualdade que enfrentamos todos os dias.

Entre as 10 mil pessoas entrevistadas pelo estudo, 1 a cada 7 mulheres disse que se sente "muito" ou "extremamente" afetada pelas videochamadas - entre os homens, apenas 1 a cada 20 entrevistados alegou o mesmo. Para entender melhor as diferentes nuances da Fadiga de Zoom, continue a leitura.

Principais causadores da Fadiga de Zoom

  • Cansaço visual;
  • "Efeito espelho", a ansiedade causada pela própria imagem;
  • Mobilidade reduzida;
  • O peso da comunicação não-verbal (como gestos e expressões faciais), que deixa de ser espontânea;
  • Hipervigilância, aquela sensação de que estão todos te olhando o tempo inteiro;

O que a pesquisa descobriu que todos estes fatores que induzem à Fadiga de Zoom são intensificados quando estamos falando de mulheres cisgênero, grupo mapeado pelo estudo juntamente aos homens cisgênero.

O recorte de gênero opera das seguintes maneiras:

Mulheres têm mais dificuldade a encarar a própria imagem

Graças aos padrões de beleza e ao contato intenso com imagens irreais de outras pessoas na televisão e na internet, é difícil se olhar por tanto tempo (e saber que está sendo olhada!) e manter a autoestima intacta. De acordo com o estudo, o "efeito espelho" é o item na equação da Fadiga de Zoom em que mais se observa a diferença do impacto entre homens e mulheres.

Mulheres precisam ser simpáticas

A ciência comprova: mulheres sorriem mais nas vídeochamada. Ser agradável, simpática e sorridente está entre as obrigações invisíveis das mulheres no mercado de trabalho, em que mulheres assertivas são vistas como ameaçadoras e difíceis de lidar.

Em vídeo, isso cansa mais ainda. É importante levar em consideração também que expressões de linguagem não-verbal que surgem de maneira espontânea em conversas presenciais precisam ser "forçadas" para surtir o efeito desejado em vídeo: ficamos mais conscientes da necessidade de sorrir, gesticular e estabelecer contato visual, o que demanda energia e contribui para a Fadiga de Zoom.

Carga mental e jornada dupla

A pesquisa sobre Fadiga de Zoom identificou também que o tempo de duração das reuniões é maior para as mulheres, com intervalo reduzido entre uma chamada e outra. Para os pesquisadores, de modo geral, a pandemia tem afetado mais as mulheres graças às mudanças no trabalho somadas ao cuidado com a casa, as crianças e familiares doentes. O trabalho formal aumentou, e as demandas da casa e da família também.

Mais cansaço na conta.

Não é só o gênero: a cor da pele também é um fator de ansiedade que induz à Fadiga de Zoom

Pessoas não-brancas também se mostraram mais sensíveis à Fadiga de Zoom.

O "efeito espelho" e a ansiedade de performance são mais pesadas para todos que fogem à norma branca e masculina do mercado. A descoberta foi um dos insights inesperados da pesquisa, que em sua conclusão recomenda o aprofundamento na questão racial para futuros estudos para que o fenômeno seja compreendido de maneira ainda mais ampla. A mesma sugestão foi feita na investigação inicial sobre Fadiga de Zoom feita pelo grupo em 2020, e os resultados apresentados agora foram inspirados pelas conclusões anteriores.

Como minimizar a Fadiga de Zoom?

  • Levantar e se movimentar entre uma reunião e outra;
  • Priorizar atividades offline após o expediente;
  • Diminuir o brilho das telas;
  • Investir em ergonomia no home-office;
  • Esconder a janela em que você aparece durante as reuniões;

E aí, como está sua relação com o Zoom? E com o trabalho, de maneira geral? Muito antes da pandemia e da onipresença das chamadas de vídeo nas nossas vidas, as mulheres já tinham uma relação mais intensa e complicada com o mercado de trabalho. Para continuar esse papo, vem com a gente até o próximo post: falar de fertilidade também é falar de trabalho.

Fonte: Fauville, Geraldine and Luo, Mufan and Queiroz, Anna C. M. and Bailenson, Jeremy N. and Hancock, Jeff, Nonverbal Mechanisms Predict Zoom Fatigue and Explain Why Women Experience Higher Levels than Men (April 5, 2021).

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